Seguramente, usar dispositivos digitais enquanto se dirige é um exemplo bastante claro de tais efeitos colaterais. Você está em seu carro e percebe que o carro à sua frente segue em uma rota sinuosa, vagarosa e desatenta. Você pensa: Será que esse motorista está bêbado? Não, não… ele (ou ela) está usando o celular. O efeito de dirigir e falar ou enviar mensagens pelo celular não é muito diferente de beber e dirigir.

Enviar mensagens de WhatsApp, verificar as curtidas de suas postagens do Facebook, buscar alguma música desejada, dar uma olhada no Instagram ou, simplesmente, pesquisar algum tema na internet. Estes comportamentos denotam uma total falta de conscientização do risco que, em si, não é considerado suficientemente perigoso para frear essas pessoas.

No entanto, as estatísticas vêm mostrando que as novas tecnologias realmente colaboram para a distração dos motoristas. No Brasil, seu uso já figura entre as maiores causas de acidentes automobilísticos e, no exterior, já é considerado como uma das principais causas.

Dados de 2015 do seguro Dpvat (Brasil) informam que foram pagos naquele ano cerca de 1,3 milhão de reais por morte ou invalidez em acidentes relacionados ao uso do celular. Os dados também mostram que 80% dos motoristas admitem que utilizam o aparelho ou outras tecnologias que geram distração enquanto dirigem. Vamos dar uma olhada em alguns números de pesquisas americanas:

  • 9 é o número diário de mortos em acidentes decorrentes de distração na direção,tal como usar o telefone celular ou enviar mensagens de texto.
  • Em 2013, o número de acidentes de trânsito causados pelo envio de mensagensde texto foi de 341 mil.
  • Em 2016, 1 em cada 4 acidentes foi causado pelo uso impróprio do celular.
  • 33% é a porcentagem de motoristas dos EUA com idade variando entre 18 a 64anos que relataram ter lido ou escrito mensagens de texto enquanto dirigiam no mês anterior.

Entre os jovens, a situação é pior: o envio de mensagens de texto é apontado como o maior causador de acidentes de trânsito. (6)

Vale a pena reforçar: em muitos casos, receber uma mensagem ou um post no Facebook é um estímulo social bastante recompensador que, provavelmente, estimula os circuitos dopaminérgicos de recompensa no cérebro.

Sabemos que o cérebro humano somente estará plenamente maturado depois dos 21 anos de idade. Antes disso, os jovens apresentam uma dificuldade natural de frear comportamentos de risco, o que deixa os motoristas mais jovens mais vulneráveis aos estímulos derivados da tecnologia e, portanto, com maior probabilidade de agir de forma impulsiva.

Além disso, o risco de acidentes causados pelos smartphones é aumentado por nos obrigar a realizar a chamada “multitarefa” – isto é, fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Uma pesquisa da AT&T mostrou que quase 4 em cada 10 usuários de smartphones acessam suas mídias sociais durante a condução do veículo, quase 3 em cada 10 surfam na web e (pasmem!) 1 em cada 10 se envolve em um bate-papo por vídeo.

Achou preocupante?…

Então veja só: 7 em cada 10 pessoas se envolvem em atividades usando o celular enquanto dirigem. Enviar mensagens de texto e e-mail ainda são os mais prevalentes. Entre as plataformas sociais, o Facebook encabeça a lista, com mais de um quarto das pessoas consultadas admitindo usar o aplicativo durante a condução de um veículo. Cerca de 1 em cada 7 disse que está conectado ao Twitter ao volante.

Vamos avaliar o seu risco?

Responda o “quiz” abaixo e descubra quais são seus comportamentos ao dirigir seu carro que representam um risco. Ao final do quiz, some os pontos descritos entre parênteses. A soma total obtida traz uma estimativa do nível de risco associado “intencionalmente” por você, na semana anterior, enquanto guiava:Então caneta e papel na mão.

-Atendi o telefone enquanto dirigia. (1 ponto)

-Fiz uma ligação (inclusive disquei) enquanto dirigia. (2 pontos)

-Li uma mensagem de texto enquanto estava parado no semáforo. (1 ponto)

-Enviei uma mensagem de texto enquanto estava parado no semáforo. (1 ponto)

-Li uma mensagem de texto enquanto dirigia. (2 pontos)

-Digitei e enviei uma mensagem de texto enquanto dirigia. (2 pontos)

Para especialistas americanos (National Transportation of Safety Board, NTSB e Conselho Nacional de Segurança, NSC), se a soma de seus pontos foi superior a 1, sua atenção esteve prejudicada. Mas não sejamos tão rígidos. Há uma outra classificação, um pouco menos severa, que nos dá uma noção da graduação do risco.

Por meio dessa classificação, somando seus pontos, qual seria então seu grau de risco?

De 1 e 3: Seu grau de risco foi moderado.

De 4 e 6: Você correu um risco alto de sofrer um acidente.

Acima de 6: Você assumiu um grau de extremo risco ao dirigir.

Para compreender melhor a dimensão do problema, vejamos um pouco da matemática e da física durante o uso de dispositivos móveis ao volante. Voltar os olhos para um aplicativo consome 5 segundos de nossa atenção. Parece pouco? Repense. Isso significa que, se estiver dirigindo a 80 km/h, você terá percorrido nada menos do que um campo de futebol. Completamente “às cegas”.

Conclusão

É curioso notar que, nos sentindo adultos, responsáveis e capazes de “pesar” o grau de risco de nossas ações envolvendo o uso dos celulares no trânsito, insistentemente continuamos a ter comportamentos perigosos como se nada de errado estivesse ocorrendo.

Segundo várias pesquisas, porém, esta forma de autorregulação pessoal (celular e o trânsito) tem se mostrado bastante ineficaz, ainda que você se sinta com uma boa dose de consciência e controle. Portanto, o momento em que decidimos pegar um smartphone durante um trajeto de carro, estamos intencionalmente assumindo um risco expressivo.

Enviar aquela única mensagem de WhatsApp, por exemplo, que geralmente não tem qualquer relevância para sua vida, pode de fato causar a você e aos que estão ao redor um sério problema.

Pense nisso.
Mas antes de terminar, cá entre nós: Será que a tecnologia efetivamente nos proporciona uma vida de maior qualidade? Estaremos nós realmente preparados para lidar com ela? Confesso que tenho sérias dúvidas.Pense nisso.

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