Tirei minha carteira de motorista em 2005, já com 26 anos, muito mais por pressão de outras pessoas do que por querer dirigir. Eu odiava as aulas práticas da autoescola, era um alívio quando terminavam. Assim que tirei a carteira, ela foi para a gaveta e, depois, virou RG. Mas, em 2007, a empresa em que trabalho me transferiu para o interior dos EUA. Lá, fui obrigada a dirigir. Não todos os dias, de forma rotineira, mas em algumas viagens. Foram milhares de quilômetros, cruzando vários estados. Mesmo assim, era sempre um martírio, com direito a suor frio, pernas tremendo, dor de barriga, pensamentos catastróficos.
Com a experiência nos EUA, fiquei “mal-acostumada” com duas coisas: câmbio automático e o respeito generalizado dos americanos pelas leis de trânsito. Voltando ao Brasil no fim de 2008, comprei um carro. Mas dirigi esse carro apenas duas ou três vezes. Não me adaptava de volta ao câmbio manual e ficava horrorizada com o trânsito brasileiro, que me parecia caótico. Vendi o carro alguns meses depois. E, para piorar o sabor amargo da experiência toda, a venda foi com grande prejuízo, no auge da crise financeira global de 2008/09.
Dirigi novamente nos EUA em 2010 e na Argentina em 2011. Sempre sofrendo. E aí desisti. Fiquei cinco anos sem dirigir. Até que, no início de 2016, estudando e trabalhando muito, já não era viável andar de ônibus. Comprei um carro. Dirigi por um  mês, fiquei doente (efeito da ansiedade extrema) e perdi a coragem. A história se repetia. Foi aí que percebi que precisava de ajuda profissional e procurei a Psicotran. Não era frescura. Não era falta de prática. Era fobia de dirigir.
Logo no começo, no consultório, além da orientação das psicólogas Salete e Sagry, também me ajudou bastante a experiência de conversar com outras pessoas que também tinham fobia. Aí vieram as sessões no carro com a Salete. Com ela eu aprendi muita coisa, mas muita coisa mesmo. Além de trabalhar comigo as questões psicológicas que me levavam a ter tanto medo, de me fazer acreditar na minha capacidade, ela me deu dicas práticas muito preciosas, que vou levar para o resto da vida. Na primeira sessão eu já estacionei de ré na garagem do meu prédio, coisa que jamais imaginei que conseguiria.
Porém, se por uma lado as sessões eram ótimas, por outro eu pecava em algo muito comum a quem tem fobia de dirigir: eu inventava mil desculpas para não fazer os exercícios. Isso me atrapalhou. Quase me fez desistir. Mas, quando percebi o erro, me obriguei a criar uma rotina, que exigiu determinação e disciplina. Eu precisava parar de sabotar o meu tratamento. Passei a dirigir todos os dias e – muito importante – a viver apenas o hoje, sem remoer a buzinada que levei ontem e sem antecipar o sofrimento que seria dirigir de novo amanhã.
Hoje, meu coração já não dispara quando preciso passar num portão apertado. Minhas pernas já não tremem quando o trânsito está pesado. Eu já consigo pensar em outras coisas enquanto dirijo. Antes, só de sentir o cheiro do couro do interior do carro eu ficava nervosa. Mas, uma noite dessas, cansada depois do trabalho, entrei no carro e, ao sentir aquele cheiro de couro que antes eu detestava, por associá-lo ao martírio que era dirigir, a única coisa que me veio à cabeça foi o alívio de estar indo para casa depois de um dia cheio. Ali eu percebi que superei a fobia. Ainda tenho um pouco de medo de algumas coisas? Claro que tenho. Mas vou superar esse medo ao continuar colocando em prática tudo o que aprendi na Psicotran. Para quem está pensando em começar o tratamento, eu só tenho uma coisa a dizer: vá em frente e não desista no meio do caminho, porque você vai conseguir.

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